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Tecnologia 22 de setembro de 2026 · 5 min de leitura

Vodafone e Ericsson colocam a tradução de chamadas ao vivo dentro da rede em 2026

Vodafone e Ericsson testaram IA nativa de rede que traduz uma ligação ao vivo e cancela o ruído de fundo, sem aplicativo e sem celular novo. O detalhe para viajantes: isso vive no núcleo da operadora e um eSIM de viagem somente de dados nunca passa por lá.

Vodafone e Ericsson colocam a tradução de chamadas ao vivo dentro da rede em 2026

A Vodafone e a Ericsson anunciaram nesta semana que testaram com sucesso dois serviços de voz com inteligência artificial que rodam dentro da própria rede móvel: tradução em tempo real de uma ligação telefônica e cancelamento de ruído que elimina o som de fundo antes de ele chegar do outro lado. Nenhum dos dois exige aplicativo, assinatura no aparelho ou celular novo.

No teste, os engenheiros mantiveram conversas em inglês, espanhol, italiano, francês e alemão, com a rede traduzindo entre os dois interlocutores enquanto eles falavam. A Vodafone afirma que a lista de idiomas pode ser ampliada sem redesenhar o sistema.

O que foi construído de fato

A parte técnica é a mais interessante. A Vodafone desenvolveu um servidor de aplicação e os motores de IA e depois os conectou ao IMS da Ericsson — o IP Multimedia Subsystem, a peça do núcleo da rede móvel que realmente transporta as chamadas de voz — por meio de APIs que fazem a ponte entre o mundo das telecomunicações e o da IA. O trabalho faz parte de um programa conjunto que as duas empresas chamam de Core Network of the Future.

Hoje a tradução ao vivo acontece no dispositivo: um aplicativo escuta, envia o áudio para um serviço na nuvem e devolve a tradução. Levar essa tarefa para o núcleo da rede inverte o modelo. A inteligência fica na infraestrutura da operadora, então o aparelho deixa de importar. Um Android de cinco anos atrás, um celular básico com VoLTE, um aparelho sem espaço para mais um aplicativo: todos fazem uma ligação comum e recebem o recurso.

Isso é realmente novo. E também explica por que as letras miúdas importam mais do que o normal.

Por que isso interessa a quem viaja

A tradução de texto está resolvida há anos. A de voz ao vivo, não. E os momentos em que essa diferença pesa são quase todos momentos de viagem: ligar para uma pousada em Nápoles que não responde e-mails, resolver uma reserva com uma imobiliária em Lisboa, falar com uma clínica no exterior, se entender com o motorista de um guincho numa estrada onde ninguém fala seu idioma. Tudo isso são ligações telefônicas, não conversas de chat, e costumam acontecer com o relógio contra.

Uma rede que traduz essas chamadas sem pedir que nenhum dos dois lados instale nada elimina o ponto de falha mais comum: a outra pessoa não tem o seu aplicativo e não vai baixá-lo no meio da ligação.

O detalhe decisivo: isso vive na rede, não no seu celular

Este é o ponto que se perde nas manchetes e é o que define se um viajante um dia vai ver o recurso.

Como a capacidade está no núcleo da operadora, ela vale para as chamadas que esse núcleo transporta. Quando você viaja, se conecta à rede de rádio de uma operadora estrangeira e, dependendo de como a ligação é roteada, pode não estar passando pelo núcleo de voz da sua operadora de origem como acontece em casa. Um recurso que funciona numa chamada da Vodafone no seu país não te acompanha automaticamente ao cruzar a fronteira.

Segundo, e mais relevante para quem lê isso num site de conectividade de viagem: um eSIM de viagem somente de dados nunca toca um núcleo de voz. Os eSIMs de viagem vendem dados móveis. Eles transportam pacotes. Não registram o seu número num IMS, então recursos de voz do lado da rede — incluindo este — simplesmente não estão no caminho.

Terceiro, isso é um teste. Vodafone e Ericsson anunciaram uma demonstração bem-sucedida, não um lançamento. Não há data comercial, nem preço, nem lista de países. Vale ler como um sinal de para onde as redes móveis estão indo nos próximos anos, e não como algo com que planejar uma viagem.

O que realmente funciona hoje numa viagem

Até a tradução nativa de rede chegar ao mercado, a configuração prática não mudou:

  1. Mantenha sua linha de origem ativa para voz e SMS. Num celular com eSIM duplo ou SIM mais eSIM, seu número continua registrado para chamadas, códigos de banco e mensagens de dois fatores.
  2. Coloque os dados num eSIM de viagem. Planos de dados como o HOLASIM são de dados por design: você instala antes de sair, aterrissa conectado e deixa a linha de origem para as ligações que exigem um número real.
  3. Leve para aplicativos as chamadas que der. WhatsApp, FaceTime e Meet já oferecem legendas ou tradução do lado do dispositivo, e funcionam sobre qualquer conexão de dados, independentemente da rede em que você está em roaming.
  4. Pergunte à sua própria operadora quando o serviço sair. Se a tradução do lado da rede virar produto comercial, quem vai vendê-la é a operadora que tem o seu número de origem. É o único lugar onde a resposta vai estar.

A leitura de fundo é mais interessante que o teste em si. As operadoras móveis passaram uma década vendo os aplicativos de mensagem levarem as partes do negócio que tinham recursos, enquanto elas ficavam com a parte que era um cano burro. Colocar IA no caminho da voz é uma tentativa de fazer a ligação telefônica comum valer alguma coisa de novo. Se isso vai chegar aos viajantes depende inteiramente dos acordos de roaming: a parte menos glamourosa e mais decisiva de toda a história.

Relacionado: eSIM de dados vs eSIM com número e como manter o WhatsApp e seu número ativos com eSIM de viagem.

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