eSIMs de viagem chegam a 134 milhões de usuários em 2026 e o roaming perde terreno
Dados do setor apontam cerca de 134 milhões de usuários de eSIM de viagem em 2026, alta de 32% em um ano, e mais de 26 milhões de downloads nos cinco principais apps. O que isso muda na sua próxima viagem.
Os eSIMs de viagem deixaram de ser assunto de nicho em algum momento deste ano. Os números que circulam em agosto de 2026 estimam o uso global de eSIM de viagem em cerca de 134 milhões de usuários, contra 101,8 milhões em 2025 — um salto de aproximadamente 32% em doze meses. Os cinco apps de eSIM de viagem mais populares somam mais de 26 milhões de downloads em 2026 até agora.
Colocado ao lado da tendência de hardware, o número fecha. A penetração global de smartphones com eSIM era de cerca de 5% no fim de 2025 e deve chegar a 10% no fim de 2026, dobrando novamente em 2027. Traduzindo: a base instalada de aparelhos capazes de fazer isso finalmente está alcançando o número de pessoas que querem parar de pagar roaming.
Por que isso importa mais do que parece
Por quase duas décadas, o roaming internacional foi uma das linhas mais rentáveis do balanço de qualquer operadora móvel. O viajante desembarcava, o telefone se conectava a uma rede parceira e a fatura chegava semanas depois. Não havia alternativa real, a não ser enfrentar a fila de um quiosque de aeroporto por um chip de plástico.
Os eSIMs de viagem eliminaram a fila. Comprar dados para um destino hoje dá o mesmo trabalho que comprar um ingresso de cinema, e a diferença de preço não é subtil: o plano Europa da Airalo custa cerca de US$ 4,50 por 1 GB em sete dias, contra passes diários de roaming de operadoras tradicionais que muitas vezes custam mais por dia do que o plano inteiro.
Analistas descrevem hoje o mercado de eSIM de viagem em torno de US$ 1,75 bilhão em 2026, a caminho de US$ 4,06 bilhões em 2035. Esse dinheiro não surge do nada: boa parte é receita de roaming redirecionada da operadora de origem do viajante para provedores independentes.
As operadoras perceberam. O consenso na imprensa setorial deste mês é direto: lançar um produto competitivo de eSIM de viagem virou necessidade defensiva, não projeto paralelo. Algumas já se mexeram. A Orange Travel assinou em junho de 2026 uma parceria de distribuição com a Trip.com cobrindo França, Itália, Espanha, Reino Unido e Suíça. A marca Visible, da Verizon, lançou um eSIM Travel Pass em torno da Copa de 2026 a US$ 25 por 7 dias, US$ 35 por 14 dias e US$ 45 por 30 dias.
A concorrência já saiu do preço
Aqui está o sinal mais interessante escondido nos números de crescimento. Com dezenas de provedores vendendo gigabytes bastante parecidos, o preço está ficando sem espaço como diferencial. Vozes do setor neste mês — entre elas a operadora de eSIM de viagem Jetpac — defendem que a próxima batalha é a confiabilidade: se o eSIM instala limpo antes do voo, se pega uma rede decente no desembarque e se o suporte responde quando não pega.
Isso combina com o que as medições independentes mostram. Os eSIMs de viagem já representam uma fatia mensurável do tráfego global de roaming, mas o desempenho real entre provedores na mesma rota pode variar enormemente — detalhamos isso em os resultados de velocidade e latência da Ookla, onde as diferenças medidas chegaram a 10 vezes.
A profundidade de recursos também avança. A Saily adicionou em junho de 2026 um número de telefone americano por US$ 0,99 ao mês, sendo o primeiro app grande de eSIM de viagem a juntar dados e um número local utilizável no mesmo lugar. Bancos e fintechs empurram para o mesmo terreno pelo outro lado, como contamos na entrada da Revolut em planos móveis.
O que fazer com essa informação
Se você já é um dos mais de 130 milhões que usam eSIM de viagem, a conclusão prática é que o mercado amadureceu o suficiente para você parar de otimizar apenas por centavos por gigabyte:
- Olhe a rede, não só o preço. Um plano vale o que vale a rede parceira local à qual ele se conecta. Cobertura e velocidade variam por país mesmo dentro do mesmo provedor.
- Instale antes de voar. Baixe o perfil no Wi-Fi de casa. Ativar no desembarque deve ser um botão, não uma sessão de diagnóstico.
- Confirme hotspot e se é só dados. Muitos planos baratos são apenas dados e alguns restringem o compartilhamento de conexão.
- Mantenha sua linha de origem acessível. Aparelhos com eSIM duplo permitem deixar seu número de sempre em espera para os códigos do banco enquanto os dados rodam no perfil de viagem.
Provedores como a HOLASIM jogam exatamente nessa categoria de confiabilidade em primeiro lugar, mirando viajantes que querem o perfil funcionando antes da decolagem em vez do menor preço de vitrine. E se você ainda compara com o passe diário da sua operadora, em eSIM vs roaming está a conta.
Os 134 milhões são um marco, mas a leitura honesta é que ainda é cedo. Com 10% de penetração em smartphones, cerca de nove em cada dez aparelhos do planeta ainda não deram o passo.