eSIMGlobal
Tecnologia 13 de agosto de 2026 · 4 min de leitura

eSIMs de viagem já são 3,4% do roaming mundial em 2026, mas a velocidade varia até 10 vezes

Novos dados da Ookla do segundo trimestre de 2026 mostram os eSIMs de viagem ganhando espaço no roaming internacional, com diferenças de latência de até 10 vezes entre marcas na mesma rua.

eSIMs de viagem já são 3,4% do roaming mundial em 2026, mas a velocidade varia até 10 vezes

Os eSIMs de viagem deixaram de ser um produto de nicho. Segundo novos dados do segundo trimestre de 2026 da empresa de testes e análise Ookla, os eSIMs de viagem de marca responderam por 3,4% de toda a atividade de roaming internacional medida no mundo, contra 2,7% um ano antes. É um salto expressivo em uma categoria que quase ninguém conhecia cinco anos atrás.

O ritmo de crescimento diz ainda mais. A Ookla afirmou que a atividade medida dos eSIMs de viagem de marca cresceu a "uma taxa forte de dois dígitos" nos doze meses encerrados no fim de junho de 2026, e que esse ritmo "superou substancialmente" o crescimento do roaming internacional como um todo, que ficou em 12%. O roaming cresce, mas os eSIMs de viagem ficam com uma fatia cada vez maior.

Mais de 50 marcas, poucas redes de verdade

A Ookla contou mais de 50 marcas de varejo de eSIM de viagem rodando sobre um grupo reduzido de redes atacadistas, e citou Holafly, Airalo, CMLink e Saily entre as maiores. A Airalo passou de US$ 1 bilhão de valuation em julho do ano passado, após uma rodada de US$ 220 milhões liderada pela CVC. A Holafly, descrita pela Ookla como sua concorrente mais próxima, anunciou em setembro ter superado US$ 500 milhões em receita acumulada.

Atrás desses aplicativos existe uma lista bem menor. A Ookla identificou como principais fornecedores atacadistas que orquestram os acordos de roaming globalmente: Hutchison (Áustria e Hong Kong), China Mobile Hong Kong, KPN, Orange, Singtel, Telna, Webbing, Transatel, Proximus, BICS, Plus na Polônia e Sky no Reino Unido.

Essas relações mudam constantemente. Só no segundo trimestre de 2026, a Airalo ampliou o uso da KPN e trouxe a Telna, enquanto a Holafly se consolidou em torno da Hutchison Áustria. Ambas reduziram fortemente o uso da Orange France. Se o mesmo app de eSIM funcionou de forma diferente na sua última viagem em relação à anterior, normalmente é por isso: a interface continuou igual, o encanamento por baixo mudou.

Por que as mesmas barras de sinal podem dar velocidades muito diferentes

O dado mais importante para o viajante não é a velocidade de download, e sim a latência.

"Dois turistas na mesma rua, conectados à mesma rede local, podem ter tempos de resposta que diferem por um fator de dez por causa de decisões tomadas em acordos atacadistas que eles nem conhecem", afirmou a Ookla.

A causa é o ponto em que seus dados saem para a internet. Alguns provedores roteiam tudo por um único hub global. Outros operam um core distribuído com pontos de saída regionais. O breakout local de verdade - quando o tráfego sai para a internet dentro do país onde você está - é raro, mas a Ookla constatou que entrega a menor latência com folga.

O exemplo dado pela Ookla é claro. Na rede au da KDDI, no Japão, a latência mediana do eSIM foi de 54 milissegundos com roteamento local e de 543 milissegundos quando o mesmo tráfego era levado por Madri, com condições de rádio idênticas nos dois casos. Uma diferença de dez vezes, invisível nas barras de sinal.

O conselho da Ookla ao consumidor é direto: "O melhor eSIM de viagem para uma determinada viagem é aquele cuja porta de saída está mais próxima do destino". Ao setor, a empresa diz que "cores distribuídos e saídas regionais superam visivelmente os hubs únicos em todas as métricas de responsividade".

O que o viajante pode fazer na prática

Você não vai ler um contrato de atacado antes de embarcar, mas pode usar sinais indiretos.

  • Meça a latência ao chegar, não o download. Rode um teste de velocidade na primeira hora e olhe o ping. Abaixo de cerca de 80 ms normalmente indica saída regional ou local. Acima de 300 ms, seu tráfego está dando uma volta longa.
  • Latência é o que você sente. Videochamadas, áudios, recálculo de mapas, apps de transporte e confirmações de pagamento dependem do tempo de ida e volta, não dos megabits brutos. Um plano de 500 Mbps com 500 ms de latência parece pior que um de 20 Mbps com 50 ms.
  • Prefira provedores que informam a rede visitada. Saber a qual operadora local você vai se conectar já é uma pista sobre o roteamento.
  • Compre regional em vez de global quando possível. Planos regionais têm mais chance de rodar em um core regional do que em um único hub mundial.
  • Deixe um segundo perfil de reserva. eSIM é software: se o primeiro rotear mal, dá para instalar outro e comparar em minutos. É uma vantagem real sobre o chip físico comprado no aeroporto.

Provedores como HOLASIM, Airalo, Holafly e Saily vendem a mesma promessa básica: dados móveis no exterior sem conta de roaming. O que os dados da Ookla sugerem é que a qualidade do roteamento, e não o preço por gigabyte, está se tornando o diferencial real.

Se você ainda está comparando um eSIM de viagem com o pacote de roaming da sua operadora, nossa análise de eSIM vs roaming em 2026 cobre o lado do custo. E se o seu próximo celular vier sem bandeja de SIM, veja o que significam os celulares somente eSIM para viajantes.

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