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Tecnologia 13 de agosto de 2026 · 4 min de leitura

O desligamento de 2G e 3G acelera em 2026: 313 operadoras, 89 países e o que o viajante perde

Um novo relatório da GSA contabiliza 313 operadoras em 89 países desligando 2G e 3G. A Europa concentra 43% dos casos, e a rede de segurança que celulares antigos usavam no exterior está desaparecendo.

O desligamento de 2G e 3G acelera em 2026: 313 operadoras, 89 países e o que o viajante perde

A camada de reserva da internet móvel está sendo desmontada, e 2026 é o ano em que o processo acelera. Um novo relatório da GSA (Global mobile Suppliers Association), divulgado nesta semana, identifica 313 operadoras em 89 países e territórios que já concluíram, planejaram ou estão executando o desligamento das redes 2G e 3G.

A motivação é espectro. Aposentar redes antigas permite refazendar essas faixas para ampliar capacidade de LTE e 5G, além de reduzir o custo de energia de manter redes que quase não carregam tráfego. Alguns desligamentos vêm de metas dos grupos operadores; outros são determinados por governos e reguladores exatamente para liberar espectro.

Os números por trás da onda de desligamentos

Os dados da GSA se dividem assim:

  • 139 operadoras em 70 mercados concluíram ou planejaram desligar o 2G, com 56 já finalizados.
  • 174 operadoras em 67 mercados começaram a desligar o 3G, das quais 102 já terminaram.
  • 27 operadoras aposentaram tanto o 2G quanto o 3G.
  • 58% das operadoras que aposentam redes antigas estão migrando para 4G e 5G ao mesmo tempo.

Por região, a Europa lidera a atividade global com 43% de todos os casos, seguida pela Ásia (26%) e pela América Latina e Caribe (9%).

"Quando foram introduzidos no mercado, 2G e 3G eram inovações muito importantes, mas com o surgimento de avanços tecnológicos maiores sua importância diminuiu, e o uso das duas tecnologias hoje está em queda no mundo", disse Joe Barrett, presidente da GSA. Ele acrescentou que governos, reguladores e grupos operadores estão definindo cada vez mais datas específicas de desligamento, o que deve acelerar os cortes em 2026 e nos anos seguintes.

O relatório também aponta que algumas operadoras não cumpriram suas metas originais, sobretudo onde dispositivos máquina a máquina e IoT com ciclos longos de substituição continuam conectados às redes antigas.

Por que isso importa quando você cruza uma fronteira

No próprio país quase ninguém percebe o desligamento do 3G, porque o celular já estava em 4G ou 5G. O problema aparece em viagem, por três motivos.

1. O plano B do roaming está acabando. Historicamente, quando o celular de um visitante não conseguia negociar uma conexão moderna em uma rede estrangeira, ele caía para 2G ou 3G e ao menos completava chamadas e SMS. Essa rede de segurança está sendo removida. No Reino Unido, por exemplo, a Virgin Media O2 informa que sua rede 2G carrega hoje menos de 0,5% do tráfego total e já está fechada para roaming internacional, antes do desligamento completo previsto para o verão europeu de 2029.

2. A voz depende de VoLTE. Sem 3G, as chamadas de voz precisam de VoLTE (voz sobre LTE). Se o seu aparelho ou o seu plano não tiverem VoLTE habilitado na rede visitada, você pode acabar com dados móveis funcionando e sem conseguir fazer ou receber uma chamada comum - uma falha frequente e confusa no exterior.

3. Aparelhos antigos e importados são os mais expostos. Um celular comprado em outra região pode não ter as bandas LTE ou a certificação VoLTE exigida pela operadora local. O Reino Unido antecipa o caminho de boa parte da Europa: EE e Vodafone concluíram seus desligamentos de 3G em 2024, a Virgin Media O2 começou de fato em julho do ano passado e a Three aposentou seu 3G em novembro.

O que checar antes da próxima viagem

  • Confirme que seu celular suporta VoLTE e que está ativado nas configurações de rede móvel, não só no Brasil mas também para roaming.
  • Compare as bandas LTE do seu aparelho com as usadas no destino, especialmente se o celular foi comprado em outra região.
  • Não conte com 2G ou 3G como plano B em nenhum país da Europa Ocidental, e cada vez menos em boa parte da Ásia.
  • Use um plano focado em dados e chamadas por aplicativo. Um eSIM de viagem de provedores como HOLASIM, Airalo, Holafly ou Saily entrega conexão local 4G/5G ao desembarcar, e WhatsApp, FaceTime ou Signal resolvem a voz sem depender das redes de voz antigas.
  • Instale e teste o eSIM antes de voar. Ativar conectado ao Wi-Fi de casa evita o pior cenário: aterrissar em um país onde o celular não consegue se registrar em nenhuma rede compatível.

A conclusão prática é que redes antigas já não são um colchão. Um celular que funciona apenas porque consegue cair para o 3G é um celular que vai parar de funcionar no exterior - e na Europa esse prazo já se mede em meses, não em anos.

Para entender como a conectividade via satélite está cobrindo as lacunas deixadas por essas redes, leia nosso relatório sobre satélite 5G e NTN em 2026. E se quiser saber quais recursos de eSIM realmente importam em uma rede moderna, comece por os recursos de eSIM que importam em 2026.

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