O eSIM está saindo do celular: notebooks, tablets e roteadores de viagem em 2026
O que aconteceu
A história do eSIM nos últimos três anos foi uma história de celulares. Isso está acabando. Projeções de mercado da ABI Research colocam os embarques de aparelhos com eSIM acima de 633 milhões de unidades em 2026, contra cerca de 403 milhões de dispositivos de consumo mais 140 milhões de dispositivos IoT em 2025. Os smartphones ainda dominam a conta — cerca de 74% dos embarques com eSIM em 2025 — mas o crescimento vem cada vez mais de tudo o que não é celular.
E isso importa para quem viaja por um motivo direto: o segundo aparelho da mochila é quase sempre o que estraga o plano de dados.
Onde o crescimento realmente está
As categorias que crescem mais rápido não são as óbvias:
- Os smartwatches são o aparelho com eSIM mais adotado fora do celular, com taxa de posse em torno de 41% entre os usuários pesquisados.
- As pulseiras fitness ficam perto de 28% e os tablets perto de 23%.
- A China Unicom, uma das maiores operadoras do mundo, relatou crescimento de aproximadamente 30 vezes na adoção de eSIM em tablets e de 10 vezes em relógios e dispositivos IoT — números que mostram a velocidade com que um mercado vira quando os aparelhos já saem de fábrica com o hardware.
- Os notebooks são o caso silencioso. O eSIM saiu de ser um recurso de frota corporativa em alguns ultrabooks para aparecer em mais modelos de consumo.
- Os roteadores de viagem e hotspots portáteis são os mais recentes: um roteador de bolso com eSIM significa que um único plano alimenta um notebook, um tablet e o celular de quem viaja com você ao mesmo tempo.
Por trás de tudo isso está o GSMA SGP.32, a especificação que tornou prático o provisionamento remoto de eSIM em aparelhos sem tela sensível ao toque nem teclado. Se um relógio ou um roteador consegue baixar um perfil sem um celular guiando o processo, a categoria inteira se torna vendável.
A outra mudança silenciosa: o eSIM deixou de ser recurso premium. Já aparece em aparelhos intermediários e de entrada, que a GSMA vinha apontando como o verdadeiro gargalo da adoção.
Por que isso muda a conectividade em viagem
Hoje a maioria resolve a conectividade uma vez — para o celular — e depois improvisa com o resto. É na improvisação que o dinheiro escoa.
Compartilhar a conexão é o remendo habitual, e é o elo mais fraco. A franquia de hotspot é exatamente onde os planos "ilimitados" param de ser ilimitados. Operadoras e provedores costumam limitar o roteamento a 5 GB ou algo próximo e depois reduzir a velocidade para 128 kbps, o que dá para o cabeçalho do e-mail e para nada mais. Se o notebook é o seu trabalho, puxar hotspot do plano do celular é uma aposta que você perde no quarto dia.
A bateria é o segundo custo. Usar o celular como hotspot em uma cidade estrangeira, sobre uma rede desconhecida e com a tela ligada para navegar, acaba com a carga rápido. E um celular sem bateria no exterior não é um transtorno pequeno quando ele guarda o cartão de embarque, o mapa e os códigos de dois fatores.
Um segundo aparelho com dados próprios elimina os dois problemas. Um notebook com eSIM próprio, ou um roteador de viagem carregando o plano do grupo inteiro, muda o formato da viagem. E também muda o que vale comprar: em vez de um plano dimensionado para um celular, você quer um pacote compartilhado maior ou um plano somente de dados por aparelho.
O que fazer agora
- Confira o que você já tem. Muitos notebooks recentes, iPads e tablets Android têm suporte a eSIM que os donos nunca ativaram. Procure "Dados móveis" ou "Celular" nas configurações; se estiver lá, o hardware existe.
- Compre planos somente de dados para os aparelhos que não são celulares. Costumam ser mais baratos que planos com voz, e um notebook ou roteador não precisa de número. A maioria dos provedores de eSIM de viagem, incluindo HOLASIM, Airalo e Ubigi, vende planos regionais somente de dados que instalam em qualquer aparelho compatível.
- Dimensione o plano pelo aparelho, não pela viagem. Um celular pode consumir 500 MB por dia. Um notebook em videochamadas pode consumir vários gigas por dia. Não é a mesma compra.
- Considere um roteador em vez de vários eSIMs se você viaja em casal, em família ou com uma equipe pequena. Um plano regional alimentando um roteador de viagem costuma sair mais barato que três planos individuais e mantém tudo em uma conta só.
- Verifique se o aparelho está desbloqueado e é compatível com eSIM antes de sair. É aqui que as viagens quebram: os modems celulares de notebooks às vezes vêm travados por operadora de um jeito que o dono só descobre já no exterior.
O quadro mais amplo
A previsão para 2026 não é só mais eSIM: é o eSIM como recurso presumido, e não uma linha na ficha técnica. Analistas e operadoras esperam planos que se adaptem ao consumo em tempo real e integrações mais profundas com companhias aéreas, hotéis e aplicativos de viagem, para que o perfil chegue junto com a reserva e não como uma tarefa separada.
Para quem viaja, a consequência prática já chegou: conectividade deixou de ser uma decisão de celular. Antes da próxima viagem, conte seus aparelhos e depois conte seus planos. Se o segundo número for menor que o primeiro, é provável que você pague a diferença em hotspot a 128 kbps. Se ainda está avaliando formatos de plano, nossa análise sobre os celulares somente eSIM em 2026 cobre o lado do aparelho nessa mesma transição.