Coreia do Sul é o primeiro mercado onde o eSIM de viagem supera o roaming
Durante anos a indústria de eSIM de viagem defendeu que os planos pré-pagos de dados acabariam substituindo o roaming das operadoras. Na Coreia do Sul esse cruzamento já aconteceu — e há dados de pesquisa para comprovar.
O que aconteceu
A 43ª Pesquisa de Telecomunicações Móveis da Consumer Insight, divulgada em 11 de agosto de 2026, perguntou a 1.497 pessoas que viajaram ao exterior no último ano como conseguiram dados móveis fora do país. 36% responderam que compraram um eSIM. 34% disseram que usaram o plano de roaming de dados da operadora. É a primeira vez nessa série de pesquisas que os eSIMs comprados pelo próprio viajante ficam à frente do roaming de operadora em um mercado nacional.
A diferença é de apenas dois pontos percentuais, bem dentro da margem esperada para uma amostra desse tamanho. O que importa é a direção: o roaming costumava vencer com folga e não vence mais.
O motivo apontado pelos viajantes não é sutil. 64% citaram as "tarifas baixas" como razão principal para escolher um eSIM — não a comodidade, nem a cobertura, nem o design do aplicativo. Preço.
O Seoul Economic Daily noticiou em 2 de setembro de 2026 que as operadoras coreanas já estão reformulando seus produtos de roaming em resposta. A KT, por exemplo, aumentou a franquia de dados do seu nível Shared Roaming: o plano de 33.000 wones agora inclui 5 GB, em vez dos 4 GB anteriores. As operadoras também estão ampliando benefícios de assinatura no exterior para tentar manter o viajante dentro do próprio ecossistema, em vez de perdê-lo para um aplicativo de terceiros no portão de embarque.
Por que isso importa para quem viaja
A Coreia do Sul serve como termômetro por três motivos.
Primeiro, é um mercado com altíssima penetração de smartphones e suporte a eSIM praticamente universal. Quando quase todo aparelho em circulação consegue instalar um eSIM, a barreira técnica desaparece e a decisão passa a ser puramente econômica. A maioria dos mercados ocidentais caminha para esse mesmo perfil de parque de aparelhos: a penetração global de eSIM em smartphones girava em torno de 5% no fim de 2025 e deve praticamente dobrar até o fim de 2026.
Segundo, os coreanos viajam muito ao exterior e em viagens curtas. Viagens curtas são exatamente onde os passes diários das operadoras aparecem no pior cenário. Um passe de US$ 10 a 12 por dia é tolerável por dois dias e punitivo por duas semanas. É a mesma conta que vem empurrando viajantes de outros mercados para os planos pré-pagos — detalhamos os números na nossa comparação de preços dos passes diários das operadoras americanas.
Terceiro, as operadoras estão respondendo melhorando o roaming, e não ignorando o problema. Isso é bom para o viajante, independentemente do que ele acabe comprando. O aumento da KT é pequeno, mas é uma resposta competitiva direta e sugere que o preço do roaming finalmente está sob pressão real.
O quadro mais amplo
Não é um dado isolado. O uso global de eSIM de viagem chegou a cerca de 134 milhões de usuários em 2026, alta de aproximadamente 32% sobre os 101,8 milhões de 2025 — tendência que cobrimos quando esses números de adoção foram divulgados. Dados da GSMA Intelligence publicados em 2026 mostram que 73% das operadoras móveis já lançaram serviços comerciais de eSIM para smartphones, e a GSMA descreveu 2026 como o ano em que o eSIM passa da adoção para a escala operacional.
Escala operacional significa, na prática, que comprar conectividade virou uma decisão pré-viagem tomada dentro de um aplicativo, e não uma decisão pós-desembarque tomada num quiosque de aeroporto ou aceitando o que a operadora cobrar. Depois que esse hábito se forma, é difícil reverter — e é exatamente por isso que as operadoras coreanas estão se mexendo agora em vez de esperar.
O que fazer antes da próxima viagem
O resultado coreano é um bom empurrão para você fazer suas próprias contas, porque a resposta realmente varia:
- Viagens de menos de 3 dias: um passe diário da operadora ainda pode vencer, especialmente se o seu plano já inclui alguns dias gratuitos por ano. Confira antes de supor.
- Viagens de uma semana ou mais: aqui os eSIMs pré-pagos vencem com folga. Uma semana de passes diários costuma custar de US$ 70 a 84; planos de dados eSIM comparáveis geralmente ficam entre US$ 4,50 e 19, dependendo de quanto dado você precisa.
- Viagens por vários países: planos regionais de eSIM normalmente compensam mais do que comprar um chip local em cada país, e batem o roaming quase sempre.
- Olhe a política de throttling, não só o preço de vitrine. Planos "ilimitados" costumam reduzir a velocidade depois de 3 a 5 GB por dia. Se você compartilha internet com um notebook, esse teto importa mais do que o preço.
- Instale antes de voar. Quase toda ativação de eSIM exige conexão à internet para baixar o perfil. Fazer isso no Wi-Fi do hotel depois de pousar é a dor de cabeça evitável mais comum.
Para viajantes da Argentina e do mercado de língua espanhola em geral, a HOLASIM é um dos provedores regionais que competem exatamente nesse segmento, ao lado de nomes globais como Airalo, Holafly, Saily e Nomad. O hábito importante é o que os coreanos já adotaram em escala: comparar o custo real por GB para a duração específica da sua viagem antes de sair, em vez de aceitar por padrão o que a operadora oferece no aeroporto.
O cruzamento aconteceu primeiro na Coreia. Pelas tendências atuais, não será o último mercado onde isso vai acontecer.