4G ainda supera o 5G em chamadas de voz em 2026, aponta a Ookla: o que viajantes devem saber antes de pousar
Uma nova análise publicada em 12 de outubro de 2026 traz uma mensagem incômoda para a era do 5G: nas chamadas de voz comuns, o 4G ainda é a melhor rede na maioria dos lugares. Segundo a Ookla, em reportagem do Light Reading, a voz sobre LTE (VoLTE) continua sendo o "padrão-ouro" em consistência e velocidade de conexão, enquanto a voz sobre 5G (VoNR) está se aproximando, mas ainda não chegou lá em muitos mercados.
O que a Ookla mediu
Os resultados vêm de dados de teste coletados pela RootMetrics, da Ookla, em oito cidades do mundo, entre elas Londres, Nova York, Seul e Singapura. A métrica foi o tempo de estabelecimento da chamada: quanto tempo passa entre apertar o botão de ligar e ouvir o toque. Menos de dois segundos parece "instantâneo", e muito mais que isso empurra as pessoas para apps como WhatsApp ou FaceTime.
Seul teve o menor tempo mediano de conexão em VoLTE, com 1,06 segundo, e 90% das chamadas VoLTE conectaram em menos de dois segundos, mais rápido que qualquer implementação de VoNR testada pela Ookla. Em outros lugares o quadro foi misto. Seis das oito operadoras conectaram chamadas mais rápido em VoNR do que em VoLTE, e a Singtel, de Singapura, e a Yes, da Malásia, foram mais rápidas na voz 5G do que na 4G. Já a StarHub, de Singapura, e a KT, da Coreia, foram 32% e 13% mais lentas em VoNR do que em VoLTE.
Por que a voz 4G ainda vence
Luke Kehoe, analista principal da Ookla, explicou que a maioria das chamadas de voz padrão em mercados desenvolvidos ainda trafega por VoLTE, mesmo onde as operadoras ativaram núcleos 5G standalone. Muitas redes devolvem a chamada ao LTE em vez de usar o núcleo 5G completo. Levar a voz ao 5G significa uma pilha tecnológica nova e um padrão de voz novo, deixando para trás algo refinado por cerca de dez anos. Onde as operadoras otimizaram, o tempo de conexão em 5G já é competitivo. A Ookla pretende medir outros fatores, como chamadas derrubadas, em estudos futuros.
A voz também tem perdido peso. A Ofcom informou que os minutos de voz originados em celulares no Reino Unido caíram 4,6%, para 36,84 bilhões, no primeiro trimestre ante o ano anterior. Mas, quando uma chamada demora a conectar, as pessoas percebem.
O que isso significa para quem viaja
A maioria dos viajantes quase nunca pensa na tecnologia das chamadas, mas o resultado toca três situações práticas.
Primeiro, as eSIMs de viagem costumam ser só de dados. Elas não têm número de telefone nem serviço de voz tradicional, então as ligações no exterior normalmente passam por WhatsApp, FaceTime, Google Meet ou outro app via dados. Nesse caso importam a latência e a estabilidade dos dados, e não VoLTE contra VoNR. Explicamos a diferença no nosso guia de eSIM só de dados versus planos com número.
Segundo, se você mantém o chip de sempre ativo para ligações, as chamadas no exterior dependem da rede visitada e de a sua operadora oferecer roaming VoLTE. Celulares antigos ou operadoras sem esse suporte podem cair em um serviço mais lento ou indisponível. É por isso que o desligamento do 2G e do 3G também importa, como mostramos em os desligamentos de 2G e 3G em 2026.
Terceiro, o 5G não é automaticamente melhor em tudo. Já noticiamos que o roaming 5G standalone está chegando, mas a maioria das operadoras diz que não está pronta. A qualidade da voz é mais um motivo para esperar resultados desiguais entre países e operadoras.
Dicas práticas para a sua próxima viagem
- Deixe o 4G/LTE ativado nas configurações do celular. Se a voz 5G estiver fraca, o aparelho pode voltar ao 4G sem problemas.
- Use chamadas por Wi-Fi ou um app de mensagens com a sua eSIM de viagem para ligações importantes, e teste antes de sair.
- Se precisar de um número local para entregas ou reservas, escolha uma eSIM ou chip que o inclua e leia antes as condições.
- Instale a eSIM de viagem em casa. A HOLASIM e outros provedores permitem configurar um plano de dados antes da partida para você pousar conectado.
O resultado da Ookla é um bom lembrete de que o mais novo ainda nem sempre é o melhor. Para quem viaja, o mais seguro é tratar os dados como a conexão principal, manter o 4G disponível e usar apps para ligar.